terça-feira, 28 de maio de 2013

12 - VACINA CONTRA CARRAPATO BRANCO

Edward Jenner inventou a primeira vacina, contra varíola, em 1796. Hoje, 210 anos depois, deve ter vacina contra tudo, até bicho-de-pé. Pelo andar da carruagem, podemos até prognosticar que dentro de mais umas poucas décadas teremos vacina até contra políticos brasileiros mentirosos, um vírus altamente epidêmico e letal. Essa será a penúltima, porque é muito difícil de pesquisar, mas certamente será inventada logo após criarem a vacina contra a morte.
Além das várias vacinas que os postos de saúde dão de graça – quer dizer, pagas pelos nossos impostos –, de cada consulta mensal à pediatra da Laura saímos com uma receita a mais, indicando vacinas que nem existem por aqui. Por exemplo, uma de nome Meningitec, que pode ser tomada em Caraguatatuba ou Taubaté mediante a módica quantia de R$250 (por dose, é claro, sendo necessárias aplicações a cada 60 dias).
Outra é a Salk, contra poliomielite. Foi inventada pelo Dr. Jonas Salk em 1955, e mais tarde substituída pela Sabin, pesquisada pelo Dr. Albert Sabin em 1961, sendo que uma é grátis e a outra é bem paga. Mas a diferença principal entre elas consiste no fato de que a antiga usa culturas de vírus morto, enquanto a moderna usa vírus desativado. Desativado "numas", porque 2 virusinhos em cada 10.000 dão sempre um jeito de continuar bem vivinhos da silva. Com a primeira vacina, o seu bebê absolutamente não terá paralisia infantil; com a outra há um pequeno risco: uma em cada 5.000 crianças vacinadas pegará a doença, mas apenas uma morrerá por causa dela.
Faço as contas para poupar-lhes o trabalho: se você não der a vacina de vírus morto, seu filhote tem insignificantes 0,0002% de chance de morrer ou passar o resto da vida aleijado. Agora: cês acham que – por causa de míseros R$1.000 – um chupim, marido de professora funcionária pública como eu, vai arriscar a vida do seu nenê?! Ou ter uma filha paraplégica pro resto da vida?! Acham? E como é que eu vou viver o resto da existência carregando a culpa do azar de minha infortúita probabilidade, hem?!
Na semana passada teve mais uma novidade a respeito: vacina Prevenar, contra pneumonia e mais seis doenças do aparelho respiratório. Moderníssima, praticamente acabaram de inventar, ainda nem foi bem globalizada. São só três doses mensais, à módica quantia de R$350 cada. Pode-se também, "caso a família não tenha previsto recursos orçamentários para tal despesa" (sic), correr o risco de uma pneumonia, esperando até a criança completar um aninho, quando então deveria tomar uma única dose dessa soberba vacina.
Em econometria isso poderia ser dito assim: se o seu filhote não morrer de pneumonia entre os 7 e os 12 meses você terá economizado R$700; ainda em outras palavras, já terá economizado as férias e o 13º da empregada. Não é mesmo muito bom?
Isto posto – que "minha família absolutamente não tem recursos orçamentários previstos para tal vacinação" – teremos que arriscar deixar a nossa Pacotinha sujeita a uma pneumonia. Então vamos rezar para que ela não tenha tal doença, ou para que Deus nos dê algum premiozinho na loteria antes disso, ou que o Papito aqui arranje um dos 10 milhões de empregos que o presidento Lula da Silva disse que vai criar nos próximos quatro anos de seu maravilhoso governo. Ou ainda, pra não ter que pedir muito a Deus, que uma eventual pneumonia não seja fatal, caso minha Pacotinha tenha uma antes de conseguirmos obter os meios financeiros para comprar a tal vacina.
Hoje fomos a Caraguá para dar a última dose dessa Meningitec. Aliás, não é propriamente a última, pois deverá ser reforçada quando a Laura fizer cinco anos – se bem que, até lá, provavelmente estaremos tão ricos quanto o país de Primeiro Mundo que resultará do segundo governo de Lula da Silva, de modo que não precisaremos nos preocupar durante os próximos quatro anos.
O comércio de vacinas deve ser promissor, ou um famoso médico daqui não teria mudado sua clínica para a cidade vizinha por razões de ordem mercadológica, quais sejam um nível médio de renda muito maior que Ubachuva e uma população também maior, portanto permitindo a um bom especialista ganhar muito mais dinheiro (como de fato se verificou, o que sinceramente estimo). Acho justo que um médico, após 6 anos de faculdade e no mínimo 3 de residência, ganhe bem, e faço este registro para não parecer que eu esteja insinuando achar isso por qualquer forma indecente; não acho, não, por isso não sejam maldosos! Caso lhes tenha passado pela cabeça uma tal aleivosia, só posso pensar que vocês estão brasileiros demais; cuidado, suas mentes estão sendo corrompidas, ou vocês já viraram petistas e nem sabem! 
Estou falando de vacinas, e faço estes comentários só para explicar melhor por quais razões as igrejas ditas evangélicas crescem tão assombrosamente, aliás na razão logarítmica do crescimento do PIB brasileiro. Entenderam? Nãããooooo?! Ora: se há três opções – médico particular, SUS, e Igreja Universal do Reino de Deus... Aah, eu sabia que vocês eram muito inteligentes!!! Bem... se ainda assim não entenderam, lamento; sugiro que tratem de fazer umas aulas sobre economia e sociologia, pois ou são muito ignorantes ou são mesmo muito burros, então não tem jeito, não posso fazer nada, procurem um cirurgião que faça transplantes de cérebro. E agora me deem licença: vou rezar.
Não, seus bobinhos, não vou rezar pra pedir saúde para minha Pacotinho, não –  ela é da geração índigo, vem de outras galáxias, mais forte que a Pedrita do Fred Flintstone, já chegou abençoadíssima por Deus; vou é dar graças ao Todo Poderoso por ter sobrevivido 60 anos só com duas míseras vacinas, contra varíola e tuberculose (aliás, a segunda não adiantou nada).
Em tempo: quando fomos a Caraguá, pra dar vacina na Laura, ficamos sabendo que inventaram uma nova, que nos foi mostrada pela enfermeira numa revista americana especializada. Chama-se HPV e será lançada brevemente aqui, para fêmeas entre 10 e 26 anos, para receita por ginecologistas. É contra herpes genital, portanto para fêmeas que farão sexo sem  camisinha com seus parceiros altamente confiáveis.


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