terça-feira, 28 de maio de 2013

17 - SUS

Os funcionários públicos do Estado de São Paulo são atendidos pelo IAMSPE – Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual – podendo buscar socorro no serviço de Pronto Atendimento de qualquer Santa Casa pelo interior afora (desde que ela esteja funcionando, o que não é tão óbvio quanto parece). Lá, no SUS – Sistema Unificado de Saúde – os médicos ganham por consulta o equivalente a 4Kg de feijão (do ruinzinho). Então, só pra fazer uma comparação simplista, um médico pode comer feijão durante um mês com o trabalho de apenas uma consulta (se não comer muito).
Até que não é tão mau, pois há pobres que não comem tanto feijão assim nem em um ano. Mas se considerarmos que, entrando na escola aos 6 anos de idade e nunca repetindo nenhuma série, ele terá 26 quando virar um Doutor Comum (pois para virar um Doutor Honoris Causa ele não precisa nem aprender a ler, bastando que seja um gênio mais genial que Einstein ou Beethoven, ou que consiga tornar-se presidente de uma republiqueta qualquer), também não se pode dizer que seja lá uma profissão muito apetitosa.
Pobres, em geral vão ao SUS até quando sentem frio. Em casos mais graves, como cãibras na sobrancelha ou bicho-de-pé, esperam que o médico receite imediatamente uma tomografia, no mínimo, caso contrário o Doutor não presta. Em palavras mais elegantes, a “nova classe média do PT” (também conhecida como “os felizes recebedores de esmolas oficiais”) é excessivamente medicalizada.
Para conciliar uma tal quantidade de “doentes” com as possibilidades funcionais de um profissional médico, é feita uma triagem prévia, de modo que, ao iniciar a consulta, o Doutor já tenha em mãos ao menos as informações básicas do caso, pra não ter que ficar perguntando o nome e a idade do paciente, sua pressão arterial, doenças crônicas, os remédios que anda tomando, essas coisas. A ficha com tais informações é redigida por uma funcionária, talvez auxiliar de enfermagem (talvez fiel da mesma igreja pentecostal que o Prefeito local), sendo isso feito comumente na própria sala de espera.
Deu-se que um conhecido meu, professor efetivo da rede estadual de ensino, foi atendido na Santa Casa por uma jovem senhora com saião de crente e cara de quem comeu e não gostou. Após preencher os dados gerais, ela perguntou a ele:
-- O que o senhor está sentindo?
-- Tenho um problema com meu pênis.
Como vários dos desinfelizes presentes, ali esperando a sua hora e vez, deram risada – pois não há nada tão engraçado como um problema no pênis – a moça, enfezada, comentou:
-- O senhor não deveria dizer isso na presença de outras pessoas, meu senhor.
-- E por que não?! A senhora perguntou e eu respondi, apenas isso.
-- Mas o senhor poderia ter sido mais discreto...
-- Discreto como?
-- Ora, poderia dizer que tinha um problema no ouvido, por exemplo; depois, na consulta, o senhor seria mais específico com o médico.
-- Hmm...
O professor saiu da sala e entrou de novo em seguida:
-- Bom dia, senhorita.
A recepcionista, espantada:
-- Sim?
-- Tenho um problema com meu ouvido.
A moça deu um sorriso quase contente, ao ver que meu conhecido tinha atendido sua sugestão, e perguntou:
-- E... o que acontece com seu ouvido, senhor?
-- É que ele arde quando eu mijo.



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