Alguns amigos pediram minha opinião sobre o
“mensalão” – uma palavra bem feia para se referir a um assunto bem chato! Não
dou, pela razão de que não se pode dar opinião sobre fatos explícitos, eles apenas são; em todo caso, dou-lhes
bons motivos para não pedirem minha opinião.
Quando estudante de História, meu principal
interesse sempre foi o período das chamadas Grandes Guerras Mundiais, digamos
entre 1870 e 1954. Da rendição da França na guerra contra a Alemanha (Bismarck
e tal) até o reconhecimento do Estado de Israel (1948), a ascensão de Mao
Zedong quando instituiu o comunismo na China continental (1949), e a Guerra
entre Estados Unidos e Coreia do Norte — que, caso alguém aí não saiba,
continua empatadíssima em 0 x 0: começou em 1950 mas, em julho de
1953, os exércitos resolveram parar onde estavam e continuam lá até hoje, um
olhando de binóculos pra cara do outro: daqui não saio e daqui ninguém me tira.
Li biografias de Benito Mussolini, entre outros
livros sobre economia/sociologia/política da Itália. Embora feitas por simples
curiosidade intelectual, sem intenção de me tornar especialista no assunto,
nessas leituras aprendi o bastante para perceber, antes do final do primeiro
mandato de Lula da Silva, que o aparelhamento fascista do Estado brasileiro
acontecia de forma muito semelhante ao que ocorrera na Europa 80 anos antes.
Entre 1922 (quando se tornou Primeiro Ministro) e 1945 (quando foi linchado em
praça pública pela população revoltada) Mussolini chegou a ser um ditador com
esmagadora aprovação do povo italiano. Melhorou muito a economia e as condições
trabalhistas das classes operárias, tanto nas indústrias quanto na agricultura,
e também investiu muito na educação e na cultura (aliás, muitíssimo mais do que
estes 10 anos de governo do PT), apoiando inclusive movimentos artísticos de
vanguarda, como o Futurismo. Mas, em que pesem algumas ressalvas favoráveis,
foi sempre um ditador cruel e sem escrúpulos. Ôpa!, acho que criei um
pleonasmo: é possível um ditador com escrúpulos?
Hitler inspirou-se (entre outras fontes
deletérias) na política de Mussolini, traduzindo para o povo alemão o
vocabulário carismático do outro. Stalin (que apertou a mão de Hitler com juras
mútuas de amor eterno) viveu e morreu dizendo que o capitalismo não ‘tava com
nada, que o lance legal era co-mu-nis-mo. Deu no que se sabe.
Pois bem, só pra resumir a ópera: somando o
carisma e a esperteza de Mussolini e Hitler e Stalin, acho que não dá metade do
carisma e da esperteza de Lula.
Um povo que produziu Bach, Brahms, Schönberg,
Wagner, Einstein e Freud (dois deles contemporâneos de Hitler!), como pode
eleger e sustentar por 15 anos um ditador como o do bigodinho ridículo?! Como é
que pode ficar anos fingindo não saber que 6.000.000 de judeus e homossexuais e
"outros" eram incinerados ali pertinho?!
Não só pode como pôde. Nosso PT, porém, além de
um século de know-how sobre aparelhamento do Estado, e dos progressos na
ciência da propaganda de massas, está no Brasil... Ora, mas é tirar doce de
criança! Como? Ora, como: do mesmo jeitinho que fizeram Mussolini e Hitler e
Stalin, só que com o maior superstar fascista da História e com um povinho que
dá tanto mais pena quanto mais se entende a tremenda sacanagem que o rebanho vê
e responde com mugidos de aprovação.
Alguém aí já viu um comunismo capitalista? Se eu
perguntasse isso no tempo de Gramsci, seria olhado como se olha um imbecil.
Pois os chineses inventaram um, e parece que estão se dando muito bem. E já
viram um fascismo à brasileira? Não?! Pois estamos vivendo um, ora bolas! E
façam o favor de não me olhar como um imbecil: o tempo ensina.
Como é um fascismo à moda caipira? É assim, ó:
(1º) faz o lucro dos bancos crescerem a alturas jamais vistas no mundo em
nenhuma época; (2º) distribui nosso dinheirinho às grandes empresas, com juros
de mãe, em fabulosos empréstimos a fundo perdido; (2º) asfixia mais ainda as
classes médias com impostos e juros para financiar as nunca vistas mordomias
dos juízes, políticos e apadrinhados políticos, e para comprar deputados
suficientes e aprovar todos os decretos reais (hoje chamados “medidas
provisórias”), avalizar qualquer PAC (ou seja, qualquer coisa que a rainha
inventar), pagar Bolsa Família, BNDES, ONGs, Bolsa Presidiário, Conselhos de
Estatais, Mensalões...; (3º) nomeia muitos juízes para o Supremo Tribunal
Federal, para ter bons companheiros em lugares estratégicos; (4º) faz cota
preto, cota índio, cota pobre, cota viado, cota sem-teto, cota sem-terra, cota
evangélico, cota doutor
honoris causa, cota tudo que faça o rebanho continuar lambendo os beiços
com o capinzinho farto e os calangos gordos que Nosso Führer consegue pôr na
Cesta Básica; (5º, last but not the least at all) continua enrolando tudo que
diga respeito a Saúde, Educação e Segurança — quanto pior, melhor. Os médicos e
professores e policiais precisam continuar sendo o braço armado dessa
criptoditadura fascista vigente.
Para os eternos maledicentes não ficarem
chamando os apedeutas de apedeutas, convém também fazer propaganda de algum
mecenato; pega bem na mídia. Circularam, há tempos, notícias sobre o
financiamento do projeto da cantora Maria Bethânia, aprovado pela lei conhecida
como Rouanet, para gravar vídeos dizendo poesias de autores brasileiros (não
lembro quem, mas era coisa boa, só gente que já teve várias edições
encadernadas). Não há nenhuma ilegalidade nisso. Também é impossível afirmar
que o dedo petista de Gilberto Gil esteja atrás dessa aprovação pelos que
decidem o que deve ou não deve ser aprovado pelo Ministério da Cultura. É um
ministério pobre, como se sabe, e não exige nenhum preparo cultural especial --
ou a irmã do Chico Buarque não estaria lá, posto que a grande
contribuição dela à cultura nacional foi gravar um sambinha em disco de vinil
nos idos da ditadura. Falo da outra, a explícita, dos militares.
Sabendo que ao PT não sobra muito dinheiro para
coisas da cultura depois de pagar a quadrilha toda (e isso quer dizer gente pra
caralho, pois tem petista e servo-de-petista em tudo quanto é lugar, e novos
lugares se criam diariamente para alocar outros mugidos), talvez Maria
Bethânia, como contribuição benemérita, apenas por amor à poesia nacional e a
essa mesma pátria que já lhe rendeu muito sucesso/reconhecimento/grana, pudesse
fazê-lo por 10% dos R$1.700.000,00 que ia receber – até porque não haverá
muitos (imagino eu) que tenham saco pra ficar vendo vídeos da Maria Bethânia
recitando poemas, de modo que a relação custo/benefício deve ser muito baixa,
não é mesmo? Na suposição de que ela esteja em condição financeira bastante boa
para dedicar, digamos, um dia mensal de seu trabalho a esse projeto das
poesias, proponho que ela cobre pelos tais vídeos só o dobro da quantia que
ganhou quando foi lançada no mercado para substituir Nara Leão no histórico
show Opinião – e garanto que esse espetáculo mudou mais o Brasil em seis meses
do que todas as suas leituras poéticas mudariam em mil anos.
O Partido Nacional Socialista (vulgo partido
nazista) ficou 12 anos no poder; os Camici Nieri (vulgo fachistas) ficaram 22;
o PC chinês tomou o poder há 62 anos; o PC da Rússia já está lá há mais de 90
anos. Por baixo, por baixo, quanto tempo vocês calculam que o PT vai ficar no
poder? Hem?! Bem: não que isso me diga respeito, porque eu dificilmente estarei
vivo pra ver a queda de Mahagonny (vide Bertolt Brecht). E não que eu me
importe, porque só ver a cara do Lula pedindo desculpas por algo que ele jura
não ter feito... ah, isso é bão demais da conta. Minha mãe, em situação
parecida, me diria o seguinte:
-- Claro que acredito em sua palavra. Mas, por
via das dúvidas e dessa sua cara muito suspeita, leva uma boa sova pra garantir
o juramento.
Além de tudo, eu ajudei o PT antes de existir o
PT; eu perdi um ótimo emprego (como diretor de uma rádio) por defender à
intransigência a igualdade do PT no noticiário da emissora; eu votei no PT
durante mais de duas décadas (até a primeira eleição do Lula). Nestas alturas,
pedir opinião sobre qualquer coisa a um completo imbecil como eu é no mínimo
uma perda de tempo. Peçam pro Zé Dirceu.
Heil, Lula!!!
P.S.:
Mamãe sabia, eu menti.
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