O filho, de 18 anos, termina o
segundo grau e não tem vontade de fazer uma faculdade. O pai, meio mão de
ferro, dá um aperto:
-- Não quer estudar?! Muito bem,
ninguém tem que fazer faculdade, nem pra ser presidente da república. Mas eu
não quero vagabundo dentro de casa. Não quer estudar, então arruma um emprego,
vai trabalhar.
O velho, que tem muitos amigos, fala
com um deles, que fala com outro, que tem um cunhado que fôra seu colega na
escola, que consegue uma audiência com um deputado federal.
-- Dirceu, meu velho! Este é o
Souza, aquele amigo que falei outro dia, que o filho terminou o segundo grau e
anda meio à toa, não quer estudar. Será que você não consegue um serviço pra
ele, pra não ficar em casa vadiando?
Uma semana depois, o deputado telefona:
-- Zé, já arrumei um trabalho
pr’aquele filho do seu amigo. Diz pra ele procurar uma secretária no meu
gabinete da Câmara. Dá o nome e conta que é para Assessor na Comissão de Saúde,
ela vai saber do que se trata. O salário é de R$ 13.700,00 por mês. Foi o que
deu pra arranjar depressa, mas é só pra começar a carreira...
-- Você tá maluco, Dirceu?! O guri
recém terminou o colégio, com essa grana nunca mais vai querer estudar. Por
favor, vê se consegue alguma coisa menorzinha.
Dias depois:
-- Zé, apareceu uma vaga pra
secretário de deputado, salário modesto, R$ 9.800,00. Tá bom esse?
-- Nãooooo! Dirceuzinho, meu
querido, salário menor! Eu sou padrinho do guri, quero que ele tenha vontade de
voltar a estudar daqui um tempo. Consegue outra coisa, amigo.
-- Bem, não sei se ele vai
aceitar... tem um de assessor da Câmara, que é R$.6.500,00. Mas só
trabalha três dias por semana, dá até pra ele conseguir um diplominha nas horas
vagas.
-- Não, não! Ainda é muito, aí que
ele não estuda mais mesmo... Menos, compreende? Menos menos.
-- Olha, a única coisa assim que eu
posso conseguir é um carguinho de ajudante de arquivo, alguma coisa de
informática, mas aí o salário é uma merda, R$ 3.800,00 por mês.
-- Dirceu, isso não, caramba! Tô
falando de alguma coisa na faixa de 500 a 600, no máximo 700.
-- Isso é impossível Zé!
-- Mas, por quê?! Ô, Dirceu, você é
o meu melhor amigo, pôxa!
-- Escuta, Zé: com esse salário aí,
eu só tenho vaga para professor, mas aí precisa ter curso superior, entendeu? Alguma especialização, mestrado, alguma
pós-merreca que seja. Só que aí fica difícil, porque não posso fazer nada,
precisa passar em concurso.
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* * *
Como dizia Millôr Fernandes: Pano rápido!
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