terça-feira, 28 de maio de 2013

05 - HISTÓRIA DO HYMNO NACIONAL BRAZYLEIRO


Não é verdade que o Brasil só tenha políticos corruptos e professores despreparados; tem também velhinhas simpáticas que afirmam ser plana a Terra, posto que não tiveram oportunidade de se informar melhor sobre Galileu e Copérnico. Elas acreditaram em seus professores e continuam acreditando em tudo, dando seus pitacos para perpetuar o erro. O problema é que, quando ensinam uma bobagem a crianças ou adolescentes, eles acreditam no erro até o fim da vida — ou não poderiam mais acreditar em nada que os professores dizem. Vamos corrigir ao menos esta.

(1.º) O autor da música hoje chamada "Hino Nacional Brasileiro" foi Francisco Manuel da Silva, nomeado Maestro di Capella (espécie de Ministro da Música) em 1831 por Dom Pedro II, então príncipe regente, ou seja, quando ainda era apenas um "poste" guardando o lugar do pai enquanto ele ia a Portugal — pois “quem vai a Portugal perde o lugar”, já dizia a rima pós-moderna;
(2.º) Entre as atribuições do cargo de Maestro di Capella estava dar aulas de música aos jovens príncipes, princesas, duquesas e viscondes, o que devia ser um enorme bode, pois não se tem notícia de algum talento naquela nobreza — exceto Dom Pedro I, que foi ótimo pianista e compositor. Fosse pouco, o Maestro tinha que compor música coral para as efemérides religiosas, música de concerto (sonatas, tocatas e óperas) para divertir as altas rodas da granfinagem, e muitas valsinhas, gigas, minuetos e sarabandas para os bailes da corte. Além de dobrados militares, para agradar almirantes e marechais;

(3.º) Embora ex-aluno do genial Padre José Maurício, nosso Chico Mané da Silva não compunha grandes coisas; era pouco acima de medíocre, porém Dom Pedro II não tinha nada melhor disponível naquela ocasião — aliás, quando adulto e imperador, viria a patrocinar com fervor uma outra grande mediocridade nacional de nome Carlos Gomes;

(4.º) Como qualquer compositor profissional, Chico tinha um montinho de rascunhos e anotações em seu baú, muito úteis em caso de encomendas urgentes ou falta de inspiração. Tinha inclusive um dobrado muito bom, que nunca fôra usado senão em desfiles mixurucas nos quartéis. Talvez ele pensasse: “Este aqui eu vou guardar, ainda vai bombar no You Tube”. O fato musical é que a indicação do andamento (mM=120) e a tonalidade de banda militar (Fa Maior) não deixam dúvida quanto a ter sido, em sua concepção, uma marcha militar; aliás, em 1831 já era cantada por soldados escrachados com uma letra que ironizava a abdicação de D. Pedro I;

(5.º) No pega-pra-capar — “Que merda de império é este, que não tem nem um hino nacional?!” (reclamou Dom Pedro II); —“Tratem de me arranjar um bem bonito antes do domingo”. Dito e feito; Chico chamou o Joaquim e tacaram na melodia uma letra fantástica, que a par de ser um poema de qualidade é uma obra-prima de uso da ordem inversa no idioma luso;

(6.º) Joaquim Osório Duque Estrada escrevia bem pra caramba, inclusive odes, églogas e sonetos; mas alguns deputados acharam que a introdução era muito comprida pra ficar só instrumental, então alguém (que teve o cuidado de não deixar registrado seu nome para execração das gerações futuras) acrescentou lá uns versos absolutamente monstruosos, cheios de melismas (típicos de letristas ruins), esses mesmos que foram cantados com entusiasmo no inicio do vídeo anexo pela Senhorinha Ana Arcanjo;

(7.º) Deputados e senadores não costumam saber música, além de serem geralmente cretinos juramentados e apedeutas divinos, mas isso não é propriamente um assunto artístico; devido a tal ignorância específica, em leis diversas ao longo do tempo os políticos adotaram aquele dobrado como hino, e ninguém até hoje tratou de contar-lhes que, com esse andamento e nessa tonalidade, 2/3 dos brasileiros mortais não conseguiriam jamais cantar dois compassos em seguida sem desafinar. E daí? Daí que deveria ser cantado em Re Maior e com andamento em torno de 90, como uma marcha-rancho (qualquer molequinho na Portela saberia disso, era só perguntar pra eles);

(8.º) Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque detestam esse hino, porque evidentemente não têm o conhecimento necessário para analisá-lo e porque não conseguem desgrudar os olhos dos seus conspícuos umbigos, e até já propuseram que se fizesse um concurso nacional para eleger um outro, novinho em folha e mais bonitinho: o nosso oficial está fora de moda, pontificaram. Vale dizer que poderíamos fazer um novo a cada 10 anos — não seria divertido um hino nacional que nunca antes nesse país ficaria fora de moda? — e eles também poderiam passar à História como autores de um hino nacional, e o Caetano iria ao Teatro Municipal do Rio usando saias para receber o Prêmio Sharp de melhor compositor da Era Lula;

(9.º) A velhinha é bonitinha, mas já tá xarope.

(10.º) Sus ? Ó, não !



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